TEXTO PUBLICADO NO SITE TVI24.PT, A 10 DE MAIO DE 2013:
«Os últimos anos têm reforçado a narrativa de que os Estados Unidos estão a perder o estatuto de única superpotência mundial.
Mas quererá isso dizer que estão a perder influência no Mundo? Não necessariamente.
O crescimento económico de Índia, China, Rússia e Brasil (que Fareed Zakaria rotulou de «ascensão dos outros») está a alterar os dados de uma equação que, nas últimas duas décadas, parecia simples.
Depois da queda do muro de Berlim, muitos pensaram que o Mundo seria... apenas americano.
A hegemonia dos EUA cimentou-se, nos anos 90, pela prosperidade económica da era Clinton e pela supremacia militar de uma América que já não tinha o fantasma soviético e ainda não se apercebera das novas ameaças que se construíam no Irão, na Coreia do Norte e no terrorismo islâmico.
As guerras do Iraque e do Afeganistão, na primeira década do século XXI, anunciaram novos tempos.
Ainda exibindo uma supremacia militar impressionante, os Estados Unidos começaram a acusar dificuldades em conciliar o poder bélico com o equilíbrio económico.
Os esforços de guerra tiveram pesada fatura na economia americana e depois do abalo financeiro de 2007-2009 nada ficou como antes.
Já nem a superpotência americana saía incólume a tamanhas contrariedades.
Enquanto isso, a China crescia a 10% ao ano. A Índia foi aprimorando a sua capacidade de inovação. O Brasil sublinhou o seu «milagre», passando, em poucos anos, da quase bancarrota para um crescimento económico notável, que o coloca no clube restrito dos países a olhar com atenção.
Estes novos dados tornam o Mundo diferente do que era nos anos 90? Sem dúvida. Mas decretam o fim do domínio americano? De forma alguma.
O que estamos a assistir, nesta era Obama, é, isso sim, a uma nova versão desse domínio americano.
Mais realista e muito menos idealista. Mais marcada pelo conceito da «cooperação» e bem menos pelo «conflito».
Obama abdicou do «confronto» dos anos Bush e passou a preferir a «contenção».
Apesar de vários apelos, o 44.º Presidente do EUA recusou-se a intervir na Síria e surpreendeu ao optar por uma participação discreta na Líbia («leading from behind»), deixando as despesas da operação aos franceses e ingleses.
Colocando a questão norte-coreana num plano de menor credibilidade (Washington não ignora, mas também não valoriza excessivamente os devaneios do errático Kim-Jong Un), a grande preocupação tem a ver com o poder adquirido pela China.
O crescimento chinês tem sido tão forte nos últimos anos que Pequim está a começar a ter dificuldades em acomodar o seu poder na região da Ásia-Pacífico.
Demasiado grande para ser apenas uma potência regional, a China quer ser vista como uma potência mundial.
Já o é a nível económico e comercial. Quer ser também no plano militar. E isso é uma ameaça para os países vizinhos, que acenam cada vez mais com pedidos de ajuda aos EUA.
A tensão Washington/Pequim será a principal história a acompanhar na política e na diplomacia mundial nos próximos anos.
As acusações da Administração Obama de espionagem eletrónica supostamente feita pela China dá conta dessa crescente tensão sino-americana.
«Em 2012, vários sistemas de computadores no mundo, incluindo os do governo dos EUA, têm sido constantemente alvo de invasões, algumas das quais parecem ser diretamente atribuídas ao governo e às Forças Armadas da China», acusou a Casa Branca, em recente relatório ao Congresso.
Segundo o Pentágono, o objetivo é «roubar tecnologia industrial», mas também «desenhar um esquema das redes de defesa dos EUA e capacidades militares que podem ser exploradas numa possível crise bilateral».
O governo chinês garante que tudo não passa de «acusações infundadas e especulações» dos americanos.
O melhor é habituarmo-nos a este tipo de coisas.»
Casa Branca
O blogue que, desde novembro de 2008, lhe conta tudo sobre a Presidência Obama e que lhe vai explicar o que de mais relevante acontece na política americana, com os olhos postos na preparação para o segundo mandato presidencial de Obama e na resposta dos republicanos à derrota de 6 de novembro de 2012
Quarta-feira, 15 de Maio de 2013
Domingo, 12 de Maio de 2013
Histórias da Casa Branca: desemprego mais baixo dos últimos quatro anos
TEXTO PUBLICADO NO SITE TVI24.PT, A 3 DE MAIO DE 2013:
O mês de abril correu melhor do que o esperado para a economia americana. De acordo com dados do Departamento do Trabalho dos EUA, foram criados 165 mil novos empregos, um dado que permitiu a descida da taxa de desemprego para 7.5%.
A contratação, por parte das empresas americanas, de novos funcionários foi, em abril, muito mais forte do que nos últimos dois meses, abrandando assim os receios de que os cortes federais em Washington pudessem provocar uma arrefecimento da economia americana.
Resultado: no final de abril, os Estados Unidos registaram a mais baixa taxa de desemprego dos últimos quatro anos.
A expetativa de vários economistas era a de que, em abril, fossem criados cerca de 140 mil novos empregos. Mas, além de terem sido gerados mais empregos do que o previsto, o número de saídas foi também menor do que o esperado.
«Isso mostra que o mercado de trabalho e a economia em geral parecem estar mais resilientes do que os investidores temiam», expçica o analista de mercado da Western Union Business Solutions, em Washington, Joe Manimbo, citado pela Reuters.
A força relativa dos dados foram particularmente surpreendentes, dados outros sinais recentes que sugerem que a economia desacelerou com força nas últimas semanas.
Estes dados parecem reforçar a ideia que o Presidente Obama tem sustentado, de que está construída a «longa estrada da recuperação».
É preciso lembrar que, em janeiro de 2009, quando Barack Obama tomou posse pela primeira vez, o sistema financeiro estava a dias de desabar e a economia americana sofria uma queda livre.
No primeiro ano de Presidência Obama, a taxa de desemprego chegou a atingir 10.5%. Só depois de aprovado o Recovery Act no Congresso (na altura, ainda muito democrata, e mesmo assim com grandes resistências a tamanha intervenção federal), se começaram a sentir alguns efeitos positivos.
O caminho de recuperação identificado a partir de 2010, e acentuado em 2011 e 2012, chegou a ter um abrandamento nos últimos meses, muito por culpa dos cortes federais já decorrentes das negociações entre a Casa Branca e o congresso republicano, para fazer face à ameaça da «Fiscal Cliff».
Mesmo com um sistema político e administrativo «sequestrado» em Washington, os EUA têm mostrado uma grande capacidade de adaptação aos novos tempos e começam a ter, de novo, uma economia pujante e capaz de gerar novos empregos.
Infelizmente, não podemos dizer o mesmo deste lado do Atlântico. Longe disso...
O mês de abril correu melhor do que o esperado para a economia americana. De acordo com dados do Departamento do Trabalho dos EUA, foram criados 165 mil novos empregos, um dado que permitiu a descida da taxa de desemprego para 7.5%.
A contratação, por parte das empresas americanas, de novos funcionários foi, em abril, muito mais forte do que nos últimos dois meses, abrandando assim os receios de que os cortes federais em Washington pudessem provocar uma arrefecimento da economia americana.
Resultado: no final de abril, os Estados Unidos registaram a mais baixa taxa de desemprego dos últimos quatro anos.
A expetativa de vários economistas era a de que, em abril, fossem criados cerca de 140 mil novos empregos. Mas, além de terem sido gerados mais empregos do que o previsto, o número de saídas foi também menor do que o esperado.
«Isso mostra que o mercado de trabalho e a economia em geral parecem estar mais resilientes do que os investidores temiam», expçica o analista de mercado da Western Union Business Solutions, em Washington, Joe Manimbo, citado pela Reuters.
A força relativa dos dados foram particularmente surpreendentes, dados outros sinais recentes que sugerem que a economia desacelerou com força nas últimas semanas.
Estes dados parecem reforçar a ideia que o Presidente Obama tem sustentado, de que está construída a «longa estrada da recuperação».
É preciso lembrar que, em janeiro de 2009, quando Barack Obama tomou posse pela primeira vez, o sistema financeiro estava a dias de desabar e a economia americana sofria uma queda livre.
No primeiro ano de Presidência Obama, a taxa de desemprego chegou a atingir 10.5%. Só depois de aprovado o Recovery Act no Congresso (na altura, ainda muito democrata, e mesmo assim com grandes resistências a tamanha intervenção federal), se começaram a sentir alguns efeitos positivos.
O caminho de recuperação identificado a partir de 2010, e acentuado em 2011 e 2012, chegou a ter um abrandamento nos últimos meses, muito por culpa dos cortes federais já decorrentes das negociações entre a Casa Branca e o congresso republicano, para fazer face à ameaça da «Fiscal Cliff».
Mesmo com um sistema político e administrativo «sequestrado» em Washington, os EUA têm mostrado uma grande capacidade de adaptação aos novos tempos e começam a ter, de novo, uma economia pujante e capaz de gerar novos empregos.
Infelizmente, não podemos dizer o mesmo deste lado do Atlântico. Longe disso...
Sexta-feira, 10 de Maio de 2013
Histórias da Casa Branca: dois anos depois de Bin Laden
TEXTO PUBLICADO NO TVI24.PT, A 2 DE MAIO DE 2013:
«Foi o momento de maior euforia do primeiro mandato de Barack Obama.
A América estava a poucos meses de assinalar uma década dos trágicos atentados de 11 de setembro de 2001. E reagiu, em êxtase, à notícia de que Osama Bin Laden, o principal mentor do maior ataque em solo americano, tinha sido morto.
Do ponto de vista simbólico, foi a estocada final no fantasma do terrorismo islâmico ¿ que depois dessa data infame, não viria a ter novas concretizações em território norte-americano (mas que nos anos seguintes à queda das Torres Gémeas teria réplicas significativas em Madrid, Londres, alguns países árabes e na Indonésia, em Bali).
Uma operação muito bem-sucedida, consumada no terreno por um pequeno grupo de operacionais altamente especializado da Joint Special Operations Command, em conjunto com a CIA, redundou na morte do inimigo número 1 da América: faz hoje dois anos.
Barack Obama ficaria, assim, com os louros de um momento mediático que o seu antecessor George W. Bush bem quereria ter tido: o de anunciar aos EUA e ao Mundo que Osama Bin Laden estava morto.
A «Operação Geronimo» era de risco máximo para o Presidente. «Se ele estivesse errado na decisão de mandar avançar, a sua Presidência estava acabada», observa Joe Biden, seu vice-presidente.
Se nos lembrarmos do momento político que se vivia há dois anos na América, é bem capaz de ser verdade.
Meio ano antes, Obama tinha sofrido a maior derrota eleitoral da sua vida: os democratas foram arrasados nas eleições intercalares de novembro de 2010 e o roteiro legislativo que o Presidente tinha preparado para o primeiro mandato estava em sério risco.
Um eventual fracasso nesta operação colocaria a legitimidade presidencial de Obama em sério risco.
O sucesso da operação em Abbotabad, nos arredores da capital paquistanesa, conferiu ao Presidente um novo impulso (atingiu, nas semanas seguintes, o pico de popularidade desde que chegou à Casa Branca) e reforçou a sua tese de que havia chegado o tempo de retirar o combate ao terrorismo das prioridades políticas dos EUA.
Dois anos depois, o quadro de referências em torno desta questão é bem diferente. Barack Obama foi reeleito para um segundo mandato. As retiradas do Iraque e do Afeganistão já estão em curso e são irreversíveis. Os casos da Líbia e da Síria mostram que os EUA estão, pelo menos durante a era Obama, numa fase de influenciar sem intervir.
Parecia ter chegado o tempo do realismo puro e duro. E parecia que o terrorismo tinha saído por completo da agenda política na América.
Mas entretanto aconteceu Boston. Aparentemente, não se trata de algo sequer comparável ao 11 de Setembro de 2001. Mas as investigações sobre quem esteve por trás dos inesperados acontecimentos na Maratona de Boston prosseguem e ainda está por esclarecer se os ataques foram apenas preparados pelos dois irmão chechenos.
Dois anos depois da morte de Bin Laden, a América parece mais segura. Mas nunca fiando.»
«Foi o momento de maior euforia do primeiro mandato de Barack Obama.
A América estava a poucos meses de assinalar uma década dos trágicos atentados de 11 de setembro de 2001. E reagiu, em êxtase, à notícia de que Osama Bin Laden, o principal mentor do maior ataque em solo americano, tinha sido morto.
Do ponto de vista simbólico, foi a estocada final no fantasma do terrorismo islâmico ¿ que depois dessa data infame, não viria a ter novas concretizações em território norte-americano (mas que nos anos seguintes à queda das Torres Gémeas teria réplicas significativas em Madrid, Londres, alguns países árabes e na Indonésia, em Bali).
Uma operação muito bem-sucedida, consumada no terreno por um pequeno grupo de operacionais altamente especializado da Joint Special Operations Command, em conjunto com a CIA, redundou na morte do inimigo número 1 da América: faz hoje dois anos.
Barack Obama ficaria, assim, com os louros de um momento mediático que o seu antecessor George W. Bush bem quereria ter tido: o de anunciar aos EUA e ao Mundo que Osama Bin Laden estava morto.
A «Operação Geronimo» era de risco máximo para o Presidente. «Se ele estivesse errado na decisão de mandar avançar, a sua Presidência estava acabada», observa Joe Biden, seu vice-presidente.
Se nos lembrarmos do momento político que se vivia há dois anos na América, é bem capaz de ser verdade.
Meio ano antes, Obama tinha sofrido a maior derrota eleitoral da sua vida: os democratas foram arrasados nas eleições intercalares de novembro de 2010 e o roteiro legislativo que o Presidente tinha preparado para o primeiro mandato estava em sério risco.
Um eventual fracasso nesta operação colocaria a legitimidade presidencial de Obama em sério risco.
O sucesso da operação em Abbotabad, nos arredores da capital paquistanesa, conferiu ao Presidente um novo impulso (atingiu, nas semanas seguintes, o pico de popularidade desde que chegou à Casa Branca) e reforçou a sua tese de que havia chegado o tempo de retirar o combate ao terrorismo das prioridades políticas dos EUA.
Dois anos depois, o quadro de referências em torno desta questão é bem diferente. Barack Obama foi reeleito para um segundo mandato. As retiradas do Iraque e do Afeganistão já estão em curso e são irreversíveis. Os casos da Líbia e da Síria mostram que os EUA estão, pelo menos durante a era Obama, numa fase de influenciar sem intervir.
Parecia ter chegado o tempo do realismo puro e duro. E parecia que o terrorismo tinha saído por completo da agenda política na América.
Mas entretanto aconteceu Boston. Aparentemente, não se trata de algo sequer comparável ao 11 de Setembro de 2001. Mas as investigações sobre quem esteve por trás dos inesperados acontecimentos na Maratona de Boston prosseguem e ainda está por esclarecer se os ataques foram apenas preparados pelos dois irmão chechenos.
Dois anos depois da morte de Bin Laden, a América parece mais segura. Mas nunca fiando.»
Segunda-feira, 29 de Abril de 2013
«Por Dentro da Reeleição» - Apresentação Lisboa 19 abril
A Apresentação Lisboa de «Por Dentro da Reeleição» foi feita a 19 de abril, na Bertrand das Amoreiras. O evento contou com as presenças do General Loureiro dos Santos e dos jornalistas Ricardo Alexandre (Antena1/RTP) e Francisco Sena Santos
«Por Dentro da Reeleição» - Apresentação Porto 17 de abril
A Apresentação Porto do livro «Por Dentro da Reeleição» foi feita a 17 de abril de 2013, na Bertrand Dolce Vita Antas, e contou com as presenças de Carlos Daniel (RTP), Álvaro Costa (Antena 3/RTP) e de Jaime Cancella de Abreu (Prime Books).
Pré-publicação de «Por Dentro da Reeleição» - tvi24.pt, 17 de abril
«É hoje apresentado, pelas 21h30, na Bertrand Dolce Vita Antas, no Porto, o livro «Por Dentro da Reeleição - Os Segredos de uma Jornada Improvável», do jornalista Germano Almeida.
Com edição da Prime Books e texto de abertura do Embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, Allan Katz, este livro reúne 42 «Histórias da Casa Branca», crónicas sobre política americana que o autor iniciou há vários anos e que já foram publicadas em quatro títulos diferentes: «A Bola», «Sexta», tvi24.pt e no blogue «Casa Branca».
Três anos depois da publicação de «Histórias da Casa Branca ¿ Como o Fenómeno Obama está a Mudar a América e o Mundo», Germano Almeida retrata, neste segundo livro, a reeleição de Barack Obama, tendo como trunfo o facto de ter estado na América nas três semanas decisivas da eleição presidencial de novembro de 2012.
Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol e assina regularmente, no tvi24.pt, crónicas com o título «Histórias da Casa Branca».
Perto de 60 por cento dos textos selecionados para este livro foram publicados no tvi24.pt.
A apresentação desta noite está marcada para as 21h30, na Bertrand Dolce Vita Antas, no Porto, com os jornalistas Carlos Daniel e Álvaro Costa. Na próxima sexta, dia 19, às 18h30, será a vez da apresentação em Lisboa, com o general Loureiro dos Santos e os jornalistas Ricardo Alexandre e Francisco Sena Santos.
O livro será posto à venda amanhã, quinta-feira, nas livrarias de todo o país. Leia, em pré-publicação, aqui notvi24.pt, um excerto da Introdução:
«Com muitas qualidades e muitos defeitos, a América continua a ser o país mais influente e poderoso do Mundo.
Mesmo perante a ascensão da China e o reerguer da Rússia. Mesmo com o crescimento da Índia em áreas como a inovação e o conhecimento científico. Mesmo perante anos de desemprego elevado e crise económica.
O primeiro mandato presidencial de Barack Obama voltou a provar que a «ascensão dos outros» não implica a perda de influência dos EUA.
Os Estados Unidos são um país com uma média de idades relativamente jovem. São, de longe, a maior economia do Mundo. Mesmo com os cortes anunciados, continuam a ter uma supremacia militar impressionante. E estão, hoje, menos dependentes do petróleo estrangeiro do que estavam há 15 ou 20 anos.
Por outro lado, as relações de forças estão a mudar, indiscutivelmente. Um recente relatório do PNUD indica que em 2020 (já não falta assim tanto tempo) o produto combinado de Índia, China e Brasil será superior ao de Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, França e Itália juntos.
Ora, isto não é apenas uma mudança: é um novo mundo, literalmente.
E o que vemos é que os EUA continuam a ser um «player» fundamental, com poderes e características únicas, nesta nova realidade.
Mesmo que de forma um pouco diferente do que estávamos habituados nas últimas décadas, os EUA continuarão a ser o «país indispensável».
O que torna os Estados Unidos especiais é a sua abertura. A capacidade notável que têm de integrar o outro. De reagir às adversidades, olhando para a frente e não para trás. De inovarem e de se reinventarem.
Ao contrário dos receios que por cá vivemos de que a Europa esteja condenada a fazer parte do passado, os Estados Unidos serão sempre um país do futuro.
Mesmo numa fase de tamanha clivagem ideológica entre os dois campos partidários (e como isso afetou o primeiro mandato de Barack Obama¿), é extraordinário verificar que a ideia matricial de democratas e republicanos continua a ser idêntica: a de que, na América, «não importa de onde se veio, mas para onde se vai», como muito bem definiu a antiga secretária de Estado, Condoleezza Rice.»
Com edição da Prime Books e texto de abertura do Embaixador dos Estados Unidos em Lisboa, Allan Katz, este livro reúne 42 «Histórias da Casa Branca», crónicas sobre política americana que o autor iniciou há vários anos e que já foram publicadas em quatro títulos diferentes: «A Bola», «Sexta», tvi24.pt e no blogue «Casa Branca».
Três anos depois da publicação de «Histórias da Casa Branca ¿ Como o Fenómeno Obama está a Mudar a América e o Mundo», Germano Almeida retrata, neste segundo livro, a reeleição de Barack Obama, tendo como trunfo o facto de ter estado na América nas três semanas decisivas da eleição presidencial de novembro de 2012.
Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol e assina regularmente, no tvi24.pt, crónicas com o título «Histórias da Casa Branca».
Perto de 60 por cento dos textos selecionados para este livro foram publicados no tvi24.pt.
A apresentação desta noite está marcada para as 21h30, na Bertrand Dolce Vita Antas, no Porto, com os jornalistas Carlos Daniel e Álvaro Costa. Na próxima sexta, dia 19, às 18h30, será a vez da apresentação em Lisboa, com o general Loureiro dos Santos e os jornalistas Ricardo Alexandre e Francisco Sena Santos.
O livro será posto à venda amanhã, quinta-feira, nas livrarias de todo o país. Leia, em pré-publicação, aqui notvi24.pt, um excerto da Introdução:
«Com muitas qualidades e muitos defeitos, a América continua a ser o país mais influente e poderoso do Mundo.
Mesmo perante a ascensão da China e o reerguer da Rússia. Mesmo com o crescimento da Índia em áreas como a inovação e o conhecimento científico. Mesmo perante anos de desemprego elevado e crise económica.
O primeiro mandato presidencial de Barack Obama voltou a provar que a «ascensão dos outros» não implica a perda de influência dos EUA.
Os Estados Unidos são um país com uma média de idades relativamente jovem. São, de longe, a maior economia do Mundo. Mesmo com os cortes anunciados, continuam a ter uma supremacia militar impressionante. E estão, hoje, menos dependentes do petróleo estrangeiro do que estavam há 15 ou 20 anos.
Por outro lado, as relações de forças estão a mudar, indiscutivelmente. Um recente relatório do PNUD indica que em 2020 (já não falta assim tanto tempo) o produto combinado de Índia, China e Brasil será superior ao de Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, França e Itália juntos.
Ora, isto não é apenas uma mudança: é um novo mundo, literalmente.
E o que vemos é que os EUA continuam a ser um «player» fundamental, com poderes e características únicas, nesta nova realidade.
Mesmo que de forma um pouco diferente do que estávamos habituados nas últimas décadas, os EUA continuarão a ser o «país indispensável».
O que torna os Estados Unidos especiais é a sua abertura. A capacidade notável que têm de integrar o outro. De reagir às adversidades, olhando para a frente e não para trás. De inovarem e de se reinventarem.
Ao contrário dos receios que por cá vivemos de que a Europa esteja condenada a fazer parte do passado, os Estados Unidos serão sempre um país do futuro.
Mesmo numa fase de tamanha clivagem ideológica entre os dois campos partidários (e como isso afetou o primeiro mandato de Barack Obama¿), é extraordinário verificar que a ideia matricial de democratas e republicanos continua a ser idêntica: a de que, na América, «não importa de onde se veio, mas para onde se vai», como muito bem definiu a antiga secretária de Estado, Condoleezza Rice.»
Terça-feira, 16 de Abril de 2013
«Por Dentro da Reeleição» - o dia do lançamento
«Por Dentro da Reeleição» - o dia do lançamento.
Esta quarta-feira será apresentado o meu segundo livro. Três anos depois de «Histórias da Casa Branca», tenho o privilégio de voltar a ter a Prime Books como editora, graças a nova aposta do Jaime Cancella de Abreu.
Conto com todos nas duas apresentações marcadas, a primeira delas já esta quarta à noite, às 21h30, na Bertrand Dolce Vita Antas, apadrinhada pelo Carlos Daniel e pelo Alvaro Costa.
Bem antes, durante a manhã, estejam atentos ao ti24.pt, site onde publiquei 60% das crónicas selecionadas para este livro, porque vai haver uma surpresa...
Obrigado a todos e até já!
Esta quarta-feira será apresentado o meu segundo livro. Três anos depois de «Histórias da Casa Branca», tenho o privilégio de voltar a ter a Prime Books como editora, graças a nova aposta do Jaime Cancella de Abreu.
Conto com todos nas duas apresentações marcadas, a primeira delas já esta quarta à noite, às 21h30, na Bertrand Dolce Vita Antas, apadrinhada pelo Carlos Daniel e pelo Alvaro Costa.
Bem antes, durante a manhã, estejam atentos ao ti24.pt, site onde publiquei 60% das crónicas selecionadas para este livro, porque vai haver uma surpresa...
Obrigado a todos e até já!
Domingo, 14 de Abril de 2013
Histórias da Casa Branca: a jogada arriscada de Marco Rubio na Imigração
TEXTO PUBLICADO NO SITE TVI24.PT, A 14 DE ABRIL DE 2013:
A Reforma da Imigração é um dos temas principais do segundo mandato de Barack Obama. Mas os contornos da discussão estão ainda a começar. E, desta vez, o Presidente pode contar com aliados inesperados do campo oposto.
Se, do lado da Casa Branca, está muito claro que existe a vontade de se avançar seriamente sobre esta questão central para a sociedade americana, a visão republicana de um problema que abrange 12 milhões de imigrantes ilegais é difusa e, muitas vezes, contraditória.
A imigração será, aliás, o tema que mais expõe as divisões e as sensibilidades tão diversas que existem, neste momento, no Partido Republicano.
Uma análise mais imediata apontaria para uma dicotomia simples: democratas e Obama pró-integração, apoiando medidas legislativas que retirassem repressão e aceitassem legalização; republicanos pró-deportação e apoiando medidas que levassem os imigrantes ilegais a abandonar a América.
No último ano, experiências legislativas em estados como o Arizona (que remetem para o conceito de «auto-deportação») dariam força a esta dicotomia.
Mas os últimos meses mudaram profundamente os dados deste jogo.
Barack Obama assumiu a Reforma da Imigração como uma das suas quatro grandes prioridades, neste início de segundo mandato.
Enquanto isso, no campo republicano, a derrota de novembro de 2012 reduziu espaço às visões mais radicais e ampliou as vozes de quem defende mais pontes políticas.
No meio desta evolução tem emergido, com cada vez mais força e protagonismo, Marco Rubio. Jovem senador da Florida, com 41 anos, muitos apontam-no como o mais bem colocado candidato presidencial republicano para 2016.
Como filho de cubanos, Marco tem uma perspetiva compreensiva deste problema. E a novidade é que Rubio até é um «tea party darling», pela forma como mostra ter visões muito críticas do peso do estado e da questão fiscal.
Neste domingo, Rubio, que faz parte do «Gangue dos Oito», grupo bipartidário responsável por apresentar no Senado uma proposta de reforma de Imigração, fez um autêntico ataque mediático, aparecendo em cinco programas de TV, para expor a necessidade de se avançar numa «Immigration bill», capaz de enquadrar estes milhões de imigrantes, mantendo e até reforçando a segurança interna da América.
«Isto não é uma amnistia. Amnistia é quando se perdoa a alguém por alguma coisa. Não se trata de perdoar. Não estamos a dizer «façam-no ilegalmente, será mais fácil e mais barato», garantiu o senador.
Rubio defende um plano que permita aos imigrantes até agora ilegais que fiquem nos EUA, desde que cumpram determinados requisitos, entre os quais terem tido um emprego, pagarem uma taxa e só poderem pedir a cidadania depois de viverem alguns anos na América.
Ver um líder da direita americana como Marco Rubio com esta visão da imigração é um dado novo que, certamente, dará mais esperanças a um segundo mandato menos crispado e mais capaz de avançar em temas como este.
Mas ainda é cedo para ter certezas sobre isso. Na política americana, nunca se sabe.
A Reforma da Imigração é um dos temas principais do segundo mandato de Barack Obama. Mas os contornos da discussão estão ainda a começar. E, desta vez, o Presidente pode contar com aliados inesperados do campo oposto.
Se, do lado da Casa Branca, está muito claro que existe a vontade de se avançar seriamente sobre esta questão central para a sociedade americana, a visão republicana de um problema que abrange 12 milhões de imigrantes ilegais é difusa e, muitas vezes, contraditória.
A imigração será, aliás, o tema que mais expõe as divisões e as sensibilidades tão diversas que existem, neste momento, no Partido Republicano.
Uma análise mais imediata apontaria para uma dicotomia simples: democratas e Obama pró-integração, apoiando medidas legislativas que retirassem repressão e aceitassem legalização; republicanos pró-deportação e apoiando medidas que levassem os imigrantes ilegais a abandonar a América.
No último ano, experiências legislativas em estados como o Arizona (que remetem para o conceito de «auto-deportação») dariam força a esta dicotomia.
Mas os últimos meses mudaram profundamente os dados deste jogo.
Barack Obama assumiu a Reforma da Imigração como uma das suas quatro grandes prioridades, neste início de segundo mandato.
Enquanto isso, no campo republicano, a derrota de novembro de 2012 reduziu espaço às visões mais radicais e ampliou as vozes de quem defende mais pontes políticas.
No meio desta evolução tem emergido, com cada vez mais força e protagonismo, Marco Rubio. Jovem senador da Florida, com 41 anos, muitos apontam-no como o mais bem colocado candidato presidencial republicano para 2016.
Como filho de cubanos, Marco tem uma perspetiva compreensiva deste problema. E a novidade é que Rubio até é um «tea party darling», pela forma como mostra ter visões muito críticas do peso do estado e da questão fiscal.
Neste domingo, Rubio, que faz parte do «Gangue dos Oito», grupo bipartidário responsável por apresentar no Senado uma proposta de reforma de Imigração, fez um autêntico ataque mediático, aparecendo em cinco programas de TV, para expor a necessidade de se avançar numa «Immigration bill», capaz de enquadrar estes milhões de imigrantes, mantendo e até reforçando a segurança interna da América.
«Isto não é uma amnistia. Amnistia é quando se perdoa a alguém por alguma coisa. Não se trata de perdoar. Não estamos a dizer «façam-no ilegalmente, será mais fácil e mais barato», garantiu o senador.
Rubio defende um plano que permita aos imigrantes até agora ilegais que fiquem nos EUA, desde que cumpram determinados requisitos, entre os quais terem tido um emprego, pagarem uma taxa e só poderem pedir a cidadania depois de viverem alguns anos na América.
Ver um líder da direita americana como Marco Rubio com esta visão da imigração é um dado novo que, certamente, dará mais esperanças a um segundo mandato menos crispado e mais capaz de avançar em temas como este.
Mas ainda é cedo para ter certezas sobre isso. Na política americana, nunca se sabe.
Terça-feira, 9 de Abril de 2013
Histórias da Casa Branca: o lado cerebral do Reaganismo
«O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros»
Margaret Thatcher
O seu legado não será pacífico ou consensual. A esquerda nunca lhe perdoará a liderança «liberal» que ditou o início de uma era de cortes na dimensão do Estado nas democracias ocidentais.
Há, até, quem lhe aponte excessiva proximidade com o antigo ditador chileno, o general Pinochet.
Mas Margaret Hilda Thatcher, nascida a 13 de outubro de 1925 em Lincolnshire, e falecida esta manhã, em Londres, aos 87 anos, vítima de acidente vascular cerebral, ainda hoje a única mulher a liderar o governo britânico, entrará certamente para os livros de história como um dos líderes mundiais mais relevantes do final do século XX.
Porque merece uma crónica especial neste espaço dedicado à política americana e, em particular, à quem ocupa a Casa Branca?
Resposta simples: porque nenhum outro líder mundial teve tamanha influência junto de um Presidente americano, como Margaret Thatcher.
Primeira-ministra britânica entre 1979 e 1990, morreu com o título de baronesa, mas foi outro o epíteto pelo qual ficou eternamente conhecida.
«Dama de Ferro» foi um termo utilizado pela primeira vez numa revista soviética, numa feliz imagem que simboliza o perfil duro, determinado e, muitas vezes, inflexível da então chefe do governo inglês.
O seu legado governamental ficou associado ao êxito nas Malvinas, mas também às decisões duríssimas no processo irlandês. Aprovou intervenções militares contra o IRA, derrotou os argentinos nas Falkland, mas a sua maior herança será o caminho de desregulamentação e «small government», que fez doutrina na Velha Albion e atravessou o Atlântico, conquistando uma boa parte dos ideólogos do conservadorismo americanio.
Há quem veja em Margaret Thatcher o «lado cerebral do Reaganismo».
Os anos 80 foram dominados, do ponto de vista simbólico, por esse «tandem» improvável entre a gélida Margaret e o carismático Ronald.
Inicialmente, havia a perceção de que Reagan, antigo ator de Hollywood, seria um Presidente pouco ideológico.
Mas essa dupla Reagan-Thatcher viria a mostrar-se a mais influente aliança política dos últimos 30 anos, simbolizando a ideia de que «o problema não está no Governo, o problema É o Governo».
Impopular, chegou mesmo a ser odiada pelos sindicatos, pelos cortes decretados e a intolerância para greves.
Mas quando se estudar, nos manuais de história política, o conceito de «thatcherismo», vai falar-se, essencialmente, de baixa de impostos, governo pequeno, liberalismo e desregulamentação.
Terá sido ela a culpada para o caminho de derrocada do Estado Social, ideia que estará, por estes anos, a dar as últimas? Ainda é cedo para responder.
Mas a avaliar pelas reações, esta segunda-feira, à sua morte, são mais os aspetos positivos do que negativos do seu legado.
Barack Obama, um Presidente ideologicamente no campo oposto do «tandem» Thatcher-Reagan, disse de Margaret ter sido «a maior amiga do EUA».
Assim será lembrada.
Margaret Thatcher
O seu legado não será pacífico ou consensual. A esquerda nunca lhe perdoará a liderança «liberal» que ditou o início de uma era de cortes na dimensão do Estado nas democracias ocidentais.
Há, até, quem lhe aponte excessiva proximidade com o antigo ditador chileno, o general Pinochet.
Mas Margaret Hilda Thatcher, nascida a 13 de outubro de 1925 em Lincolnshire, e falecida esta manhã, em Londres, aos 87 anos, vítima de acidente vascular cerebral, ainda hoje a única mulher a liderar o governo britânico, entrará certamente para os livros de história como um dos líderes mundiais mais relevantes do final do século XX.
Porque merece uma crónica especial neste espaço dedicado à política americana e, em particular, à quem ocupa a Casa Branca?
Resposta simples: porque nenhum outro líder mundial teve tamanha influência junto de um Presidente americano, como Margaret Thatcher.
Primeira-ministra britânica entre 1979 e 1990, morreu com o título de baronesa, mas foi outro o epíteto pelo qual ficou eternamente conhecida.
«Dama de Ferro» foi um termo utilizado pela primeira vez numa revista soviética, numa feliz imagem que simboliza o perfil duro, determinado e, muitas vezes, inflexível da então chefe do governo inglês.
O seu legado governamental ficou associado ao êxito nas Malvinas, mas também às decisões duríssimas no processo irlandês. Aprovou intervenções militares contra o IRA, derrotou os argentinos nas Falkland, mas a sua maior herança será o caminho de desregulamentação e «small government», que fez doutrina na Velha Albion e atravessou o Atlântico, conquistando uma boa parte dos ideólogos do conservadorismo americanio.
Há quem veja em Margaret Thatcher o «lado cerebral do Reaganismo».
Os anos 80 foram dominados, do ponto de vista simbólico, por esse «tandem» improvável entre a gélida Margaret e o carismático Ronald.
Inicialmente, havia a perceção de que Reagan, antigo ator de Hollywood, seria um Presidente pouco ideológico.
Mas essa dupla Reagan-Thatcher viria a mostrar-se a mais influente aliança política dos últimos 30 anos, simbolizando a ideia de que «o problema não está no Governo, o problema É o Governo».
Impopular, chegou mesmo a ser odiada pelos sindicatos, pelos cortes decretados e a intolerância para greves.
Mas quando se estudar, nos manuais de história política, o conceito de «thatcherismo», vai falar-se, essencialmente, de baixa de impostos, governo pequeno, liberalismo e desregulamentação.
Terá sido ela a culpada para o caminho de derrocada do Estado Social, ideia que estará, por estes anos, a dar as últimas? Ainda é cedo para responder.
Mas a avaliar pelas reações, esta segunda-feira, à sua morte, são mais os aspetos positivos do que negativos do seu legado.
Barack Obama, um Presidente ideologicamente no campo oposto do «tandem» Thatcher-Reagan, disse de Margaret ter sido «a maior amiga do EUA».
Assim será lembrada.
Quarta-feira, 3 de Abril de 2013
Histórias da Casa Branca: o regresso de David Petraeus
Texto publicado no site da TVI24, a 27 de março de 2013:
Foi, durante anos, o general mais respeitado do Exército americano. Com uma folha militar irrepreensível, era visto como a referência na área da estratégia e foi tiro certeiro da parte final da Administração Bush para estancar a ferida do Iraque.
David Petraeus, o «general indispensável», até era visto por parte da Direita americana como possível candidato presidencial republicano em 2012.
Mas de imediato disse que não a uma aventura de campanha política, porque acedeu ao chamamento da Administração Obama e mostrou rápida sintonia com o presidente democrata.
Obama e Petraeus tiveram empatia quase imediata. Tinham as mesmas visões sobre como a América deveria sair do atoleiro do Iraque. De como, primeiro, haveria que garantir uma saída digna, uma retirada que não comprometesse ainda mais vidas.
O erro de avançar para Bagdade, cometido politicamente pelo presidente anterior a Obama, só poderia ser minimizado se os EUA soubesses honrar e proteger os seus homens e mulheres no teatro de combate.
David Petraeus foi o general da «surge», primeiro no Iraque, depois no Afeganistão. Obama aderiu a essa visão e promoveu-o figura de topo na hierarquia militar americana, nos primeiros anos do seu primeiro mandato presidencial.
Mas nem tudo correu bem nas estruturas militares de topo durante os primeiros anos Obama.
Primeiro foi o «caso McChrystal». A par de Petraus, Stanley McChrystal era outro «general indispensável» da era Obama. Mas uma estranha entrevista à «Rolling Stone», com termos agressivos e por vezes impróprios, pouco esperados em McChrystal, levaram ao seu afastamento.
Mais recentemente, logo após a reeleição de Obama em novembro de 2012, foi o próprio David Petraeus que caiu.
O escândalo teve saias pelo meio e, mais uma vez, manchou a imagem que esperaríamos ver de um general americano de topo.
Petraeus assumiu um caso extra-conjugal com Paula Broadwell, autora biografia do general e, ela própria, oficial na reserva. O caso atingiu, também, o general John Allen, pela correspondência trocada com Jill Kelley, outra peça deste complicado novelo, que levou à demissão de David Petraeus como diretor da CIA.
Quatro meses e meio depois do escândalo, David Petraeus regressou e, na sua primeira aparição pública desde a demissão, pediu «desculpas pelo caso» que levou à sua resignação. «Causei dor à minha família, aos meus amigos e apoiantes, e por isso peço desculpa», disse o general.
Petraeus falou para uma plateia com cerca de 600 pessoas, incluindo a sua mulher e muitos militares de relevo, em discurso na University of Southern California.
«Enquanto o nosso país continua a melhorar o seu apoio e reconhecimento a todos os veteranos e suas famílias, podemos e teremos que fazer ainda melhor», observou o general de quatro estrelas, agora na reserva.
Foi, durante anos, o general mais respeitado do Exército americano. Com uma folha militar irrepreensível, era visto como a referência na área da estratégia e foi tiro certeiro da parte final da Administração Bush para estancar a ferida do Iraque.
David Petraeus, o «general indispensável», até era visto por parte da Direita americana como possível candidato presidencial republicano em 2012.
Mas de imediato disse que não a uma aventura de campanha política, porque acedeu ao chamamento da Administração Obama e mostrou rápida sintonia com o presidente democrata.
Obama e Petraeus tiveram empatia quase imediata. Tinham as mesmas visões sobre como a América deveria sair do atoleiro do Iraque. De como, primeiro, haveria que garantir uma saída digna, uma retirada que não comprometesse ainda mais vidas.
O erro de avançar para Bagdade, cometido politicamente pelo presidente anterior a Obama, só poderia ser minimizado se os EUA soubesses honrar e proteger os seus homens e mulheres no teatro de combate.
David Petraeus foi o general da «surge», primeiro no Iraque, depois no Afeganistão. Obama aderiu a essa visão e promoveu-o figura de topo na hierarquia militar americana, nos primeiros anos do seu primeiro mandato presidencial.
Mas nem tudo correu bem nas estruturas militares de topo durante os primeiros anos Obama.
Primeiro foi o «caso McChrystal». A par de Petraus, Stanley McChrystal era outro «general indispensável» da era Obama. Mas uma estranha entrevista à «Rolling Stone», com termos agressivos e por vezes impróprios, pouco esperados em McChrystal, levaram ao seu afastamento.
Mais recentemente, logo após a reeleição de Obama em novembro de 2012, foi o próprio David Petraeus que caiu.
O escândalo teve saias pelo meio e, mais uma vez, manchou a imagem que esperaríamos ver de um general americano de topo.
Petraeus assumiu um caso extra-conjugal com Paula Broadwell, autora biografia do general e, ela própria, oficial na reserva. O caso atingiu, também, o general John Allen, pela correspondência trocada com Jill Kelley, outra peça deste complicado novelo, que levou à demissão de David Petraeus como diretor da CIA.
Quatro meses e meio depois do escândalo, David Petraeus regressou e, na sua primeira aparição pública desde a demissão, pediu «desculpas pelo caso» que levou à sua resignação. «Causei dor à minha família, aos meus amigos e apoiantes, e por isso peço desculpa», disse o general.
Petraeus falou para uma plateia com cerca de 600 pessoas, incluindo a sua mulher e muitos militares de relevo, em discurso na University of Southern California.
«Enquanto o nosso país continua a melhorar o seu apoio e reconhecimento a todos os veteranos e suas famílias, podemos e teremos que fazer ainda melhor», observou o general de quatro estrelas, agora na reserva.
Domingo, 17 de Fevereiro de 2013
Histórias da Casa Branca: o «regresso» da Europa
TEXTO PUBLICADO NO SITE TVI24.PT, A 15 DE FEVEREIRO DE 2013:
Barack Obama chegou a ser rotulado de «primeiro Presidente do Pacífico». O «shift» anunciado nos anos iniciais da era Obama apontava para uma América mais virado para a Ásia e muito menos para a Europa.
Mas, como em tantas outras coisas na política internacional, nem sempre o que parece é.
A menção surpreendente, no discurso do Estado da União, da intenção de criar uma plataforma comercial com EUA/Europa nos próximos dois anos foi a maior prova de que Obama ainda vê neste lado do Atlântico o seu maior aliado.
Não nos enganemos: os Estados Unidos, sob esta administração e nas próximas, vão olhar cada vez mais para o que se passa na Ásia-Pacífico.
Mas a ascensão da China, que em alguns sectores começa a ameaçar a hiperpotência americana, leva a que os EUA olhem de forma mais séria para um acordo global com os europeus, de modo a alargar o seu mercado.
A crise europeia fez alterar os dados da equação, mas a verdade é que as relações EUA-União Europeia continuam a mostrar-se como o «tandem» mais rico no plano das relações comerciais no Mundo.
É certo que, nos primeiros anos do seu primeiro mandato, a Administração Obama foi torcendo o nariz num maior envolvimento na solução da crise europeia. A explicação era prosaica: havia que dar prioridade a resolver a crise que, no seio da própria americana, ainda se mostrava particularmente violenta.
Com a América a crescer a dois por cento, com três anos seguidos de criação de emprego, o Presidente Obama ainda não chegou ao ponto que desejaria, mas sabe que o pior já passou.
Pode, agora, começar a mudar um pouco a agulha, diversificando objetivos, para lá da salvação da crise interna.
A forma como escolheu abrir o seu discurso do dia 12 é um bom exemplo desta estratégia.
O Presidente recordou que a América está a sair de uma década de guerra. A economia está a recuperar de forma sólida e até os preços das casas estão a subir, sendo que o pico da crise começou no sector imobiliário.
Com uma oposição republicana ainda em convulsão interna, a discutir por onde deve ir para enfrentar a sério o ataque à Casa Branca em 2016, o Presidente sente a bola do seu lado.
Muitos notaram um Obama, na posse e no State of The Union, mais liberal e assumir-se, finalmente, «um dos presidentes mais à esquerda das últimas décadas», como tanto gostam de o definir os republicanos.
Mas além de assumir as bandeiras do combate à pobreza, do controlo de armas e da criação de empregos pela via de programas federais (vias nitidamente democratas), Barack Obama revelou também o seu lado abrangente, ao «apostar» que vários governadores, sejam eles democratas ou republicanos, vão querer colocar o seu estado entre os que vão beneficiar dos programas de criação de emprego que a sua administração se prepara para lançar.
Obama reforçou, no State of The Union, a sua visão de uma América que, independentemente da dívida que é preciso reduzir e da crise que é preciso resolver, terá que se lançar, de forma clara, na estrada das novas tecnologias, da inovação, do conhecimento, como forma de criar «novos empregos» e «continuar a liderar pelo exemplo e pelo arrojo».
Ao assumir a bandeira da Reforma da Imigração encostou os republicanos à parede (o GOP não pode continuar alheio às minorias) e ao defender que as alterações climáticas já são quase uma evidência e até podem constituir oportunidade de criação de novos empregos (com a aposta nas renováveis e nas «energias limpas»), desmonta um dos «mantras» dos republicanos com um «argumento de bom senso e não de luta partidária».
O regresso do «big government»? Obama garante que não e prefere o termo «smart government». As diferenças de conceito prometem marcar a discussão com os republicanos nos próximos meses.
Barack Obama chegou a ser rotulado de «primeiro Presidente do Pacífico». O «shift» anunciado nos anos iniciais da era Obama apontava para uma América mais virado para a Ásia e muito menos para a Europa.
Mas, como em tantas outras coisas na política internacional, nem sempre o que parece é.
A menção surpreendente, no discurso do Estado da União, da intenção de criar uma plataforma comercial com EUA/Europa nos próximos dois anos foi a maior prova de que Obama ainda vê neste lado do Atlântico o seu maior aliado.
Não nos enganemos: os Estados Unidos, sob esta administração e nas próximas, vão olhar cada vez mais para o que se passa na Ásia-Pacífico.
Mas a ascensão da China, que em alguns sectores começa a ameaçar a hiperpotência americana, leva a que os EUA olhem de forma mais séria para um acordo global com os europeus, de modo a alargar o seu mercado.
A crise europeia fez alterar os dados da equação, mas a verdade é que as relações EUA-União Europeia continuam a mostrar-se como o «tandem» mais rico no plano das relações comerciais no Mundo.
É certo que, nos primeiros anos do seu primeiro mandato, a Administração Obama foi torcendo o nariz num maior envolvimento na solução da crise europeia. A explicação era prosaica: havia que dar prioridade a resolver a crise que, no seio da própria americana, ainda se mostrava particularmente violenta.
Com a América a crescer a dois por cento, com três anos seguidos de criação de emprego, o Presidente Obama ainda não chegou ao ponto que desejaria, mas sabe que o pior já passou.
Pode, agora, começar a mudar um pouco a agulha, diversificando objetivos, para lá da salvação da crise interna.
A forma como escolheu abrir o seu discurso do dia 12 é um bom exemplo desta estratégia.
O Presidente recordou que a América está a sair de uma década de guerra. A economia está a recuperar de forma sólida e até os preços das casas estão a subir, sendo que o pico da crise começou no sector imobiliário.
Com uma oposição republicana ainda em convulsão interna, a discutir por onde deve ir para enfrentar a sério o ataque à Casa Branca em 2016, o Presidente sente a bola do seu lado.
Muitos notaram um Obama, na posse e no State of The Union, mais liberal e assumir-se, finalmente, «um dos presidentes mais à esquerda das últimas décadas», como tanto gostam de o definir os republicanos.
Mas além de assumir as bandeiras do combate à pobreza, do controlo de armas e da criação de empregos pela via de programas federais (vias nitidamente democratas), Barack Obama revelou também o seu lado abrangente, ao «apostar» que vários governadores, sejam eles democratas ou republicanos, vão querer colocar o seu estado entre os que vão beneficiar dos programas de criação de emprego que a sua administração se prepara para lançar.
Obama reforçou, no State of The Union, a sua visão de uma América que, independentemente da dívida que é preciso reduzir e da crise que é preciso resolver, terá que se lançar, de forma clara, na estrada das novas tecnologias, da inovação, do conhecimento, como forma de criar «novos empregos» e «continuar a liderar pelo exemplo e pelo arrojo».
Ao assumir a bandeira da Reforma da Imigração encostou os republicanos à parede (o GOP não pode continuar alheio às minorias) e ao defender que as alterações climáticas já são quase uma evidência e até podem constituir oportunidade de criação de novos empregos (com a aposta nas renováveis e nas «energias limpas»), desmonta um dos «mantras» dos republicanos com um «argumento de bom senso e não de luta partidária».
O regresso do «big government»? Obama garante que não e prefere o termo «smart government». As diferenças de conceito prometem marcar a discussão com os republicanos nos próximos meses.
Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2013
Histórias da Casa Branca: o Presidente distribui o jogo
TEXTO PUBLICADO NO SITE TVI24.PT, A 13 DE FEVEREIRO DE 2013:
O discurso sobre o Estado da União confirmou um Obama com grande vontade de aproveitar os primeiros dois anos do seu segundo mandato para completar uma agenda mais liberal e combativa.
A tomada de posse marcara um tom mais agressivo do que o esperado em relação à oposição republicana. Já se esperava que o discurso de terça à noite reforçasse esta ideia. Mas talvez não se imaginasse que Obama avançasse com propostas como a de aumentar o salário mínimo.
«A América é a nação mais rica do Mundo. Não é aceitável que, neste país, um americano que trabalhe a tempo inteiro continua a correr o risco de cair na pobreza», exortou o Presidente. Os congressistas democratas da ala mais ficaram eufóricos. Vários membros republicanos da Câmara dos Representantes e do Senado engoliram em seco.
Barack Obama quer vestir a pele, no segundo mandato, de um Presidente próximo da base ideológica que o reelegeu.
Mas Obama optou por uma abordagem mais abrangente do que a que teve na tomada de posse. Retomou frases que usou várias vezes no espírito conciliatório do primeiro mandato, ao observar: «Nunca podemos ter a pretensão de que cem por cento daquilo que desejamos e acreditamos vai vencer. Os dois lados têm ser capazes do compromisso. Temos que avançar para leis que não são democratas, nem republicanas. São de bom senso».
Foi um Barack Obama com uma clara noção de que a mão, no eterno jogo de cartas da política americana, está do seu lado. Parte para o segundo mandato com 53 por cento de aprovação (mais oito pontos do que tinha no Estado da União de 2012) e vê um Partido Republicano ainda atordoado com a derrota clara nas presidenciais de novembro.
A escolha de Marco Rubio para fazer a reação oficial dos republicanos comprova a clara aposta do GOP em piscar o olho às minorias, sobretudo aos latinos. Não por acaso, o jovem senador da Florida, favorito republicano à nomeação presidencial para 2016, fez duas respostas seguidas: uma inglês, outra em espanhol.
O Presidente confirmou quatro grandes prioridades já enunciadas na sua segunda inauguração: Reforma de Imigração («é este o tempo para a fazer e espero receber, nos próximos meses, uma lei bipartidária proposta por este Congresso»); alterações climáticas («não é prudente continuarmos a achar que a supertempestade Sandy, os incêndios e as secas são meras coincidências»); independência energética («os EUA estão a produzir petróleo em níveis máximos nos últimos 15/20 anos») e Reforma Fiscal, com uma profunda insistência numa solução para a Fiscal Cliff que proteja a classe média.
Mas o momento mais alto da hora e pouco de discurso de Barack Obama no Capitólio foi a referência ao «gun control». «Passaram dois meses sobre Newtown. Não foi a primeira vez que uma tragédia destas nos afetou. Mas, desta vez, foi diferente».
O Presidente contou o caso de Haidya Pendleton, uma menina de Chicago que esteve em Washington na tomada de posse, a 21 de janeiro, e que uma semana depois foi morta a tiro num parque, perto da casa de Obama, no Illinois.
Com a presença dos pais da falecida Haidya, o momento foi marcado por uma grande emoção, vendo-se lágrimas nos olhos de muitos congressistas dos dois partidos. Para o Presidente, «este é o momento de a América encontrar um grande consenso sobre o controlo de armas».
Já sem o estigma de ter que salvar a América da Grande Depressão (que limitou os primeiros anos da sua presidência), e com uma década de guerra a terminar para os Estados Unidos (ontem mesmo foi anunciada a retirada de mais 34 mil efetivos americanos do Afeganistão),
Barack Obama mostrou vontade de seguir em frente, como prometia o slogane da sua reeleição.
O próximo ano e meio será decisivo para sabermos se Obama conseguirá mesmo deixar um legado.
O discurso sobre o Estado da União confirmou um Obama com grande vontade de aproveitar os primeiros dois anos do seu segundo mandato para completar uma agenda mais liberal e combativa.
A tomada de posse marcara um tom mais agressivo do que o esperado em relação à oposição republicana. Já se esperava que o discurso de terça à noite reforçasse esta ideia. Mas talvez não se imaginasse que Obama avançasse com propostas como a de aumentar o salário mínimo.
«A América é a nação mais rica do Mundo. Não é aceitável que, neste país, um americano que trabalhe a tempo inteiro continua a correr o risco de cair na pobreza», exortou o Presidente. Os congressistas democratas da ala mais ficaram eufóricos. Vários membros republicanos da Câmara dos Representantes e do Senado engoliram em seco.
Barack Obama quer vestir a pele, no segundo mandato, de um Presidente próximo da base ideológica que o reelegeu.
Mas Obama optou por uma abordagem mais abrangente do que a que teve na tomada de posse. Retomou frases que usou várias vezes no espírito conciliatório do primeiro mandato, ao observar: «Nunca podemos ter a pretensão de que cem por cento daquilo que desejamos e acreditamos vai vencer. Os dois lados têm ser capazes do compromisso. Temos que avançar para leis que não são democratas, nem republicanas. São de bom senso».
Foi um Barack Obama com uma clara noção de que a mão, no eterno jogo de cartas da política americana, está do seu lado. Parte para o segundo mandato com 53 por cento de aprovação (mais oito pontos do que tinha no Estado da União de 2012) e vê um Partido Republicano ainda atordoado com a derrota clara nas presidenciais de novembro.
A escolha de Marco Rubio para fazer a reação oficial dos republicanos comprova a clara aposta do GOP em piscar o olho às minorias, sobretudo aos latinos. Não por acaso, o jovem senador da Florida, favorito republicano à nomeação presidencial para 2016, fez duas respostas seguidas: uma inglês, outra em espanhol.
O Presidente confirmou quatro grandes prioridades já enunciadas na sua segunda inauguração: Reforma de Imigração («é este o tempo para a fazer e espero receber, nos próximos meses, uma lei bipartidária proposta por este Congresso»); alterações climáticas («não é prudente continuarmos a achar que a supertempestade Sandy, os incêndios e as secas são meras coincidências»); independência energética («os EUA estão a produzir petróleo em níveis máximos nos últimos 15/20 anos») e Reforma Fiscal, com uma profunda insistência numa solução para a Fiscal Cliff que proteja a classe média.
Mas o momento mais alto da hora e pouco de discurso de Barack Obama no Capitólio foi a referência ao «gun control». «Passaram dois meses sobre Newtown. Não foi a primeira vez que uma tragédia destas nos afetou. Mas, desta vez, foi diferente».
O Presidente contou o caso de Haidya Pendleton, uma menina de Chicago que esteve em Washington na tomada de posse, a 21 de janeiro, e que uma semana depois foi morta a tiro num parque, perto da casa de Obama, no Illinois.
Com a presença dos pais da falecida Haidya, o momento foi marcado por uma grande emoção, vendo-se lágrimas nos olhos de muitos congressistas dos dois partidos. Para o Presidente, «este é o momento de a América encontrar um grande consenso sobre o controlo de armas».
Já sem o estigma de ter que salvar a América da Grande Depressão (que limitou os primeiros anos da sua presidência), e com uma década de guerra a terminar para os Estados Unidos (ontem mesmo foi anunciada a retirada de mais 34 mil efetivos americanos do Afeganistão),
Barack Obama mostrou vontade de seguir em frente, como prometia o slogane da sua reeleição.
O próximo ano e meio será decisivo para sabermos se Obama conseguirá mesmo deixar um legado.
Histórias da Casa Branca: um Presidente mais agressivo
TEXTO PUBLICADO NO SITE TVI24.PT, A 12 DE FEVEREIRO DE 2013:
«Na tomada de posse, a 21 de janeiro, Barack Obama enunciou uma agenda mais ideológica do que se esperava para o segundo mandato.
E muitos até estranharam que o Presidente tenha extravasado o registo abrangente que uma inauguração geralmente comporta, para avançar para assuntos com uma carga política muito acentuada (controlo de armas, imigração, alterações climáticas, direitos das minorias).
No discurso sobre o Estado da União desta terça-feira, Obama deverá reforçar essa carga ideológica e vai aproveitar o «cara a cara» com o Congresso de maioria republicana para sinalizar: «Eu sou o Presidente e as eleições têm consequências».
O discurso de posse já tinha enunciado as prioridades. O «State of the Union» deverá reforçar um Obama a marcar o tom político nos próximos anosPode parecer um aviso redundante, mas tendo em conta o comportamento do partido rival do Presidente, acreditem que não é: «Continua a haver um número surpreendente de republicanos que parecem pensar que as eleições não interessam, que estão prontos para bloquear a agenda popular que os americanos mostraram apoiar em novembro. A mudança não vai acontecer atrás das portas, nos corredores de Washington. Só poderá acontecer com persistência, com pressão, por parte do Presidente sobre o Congresso republicano e pelo envolvimento permanente de milhões de americanos», comenta Ben LaBelt, antigo assessor de imprensa da campanha de Barack Obama.
A 21 de janeiro, o Presidente já tinha enunciado as suas quatro grandes prioridades políticas para o segundo mandato: reforma da imigração; redução do défice; alterações climáticas e independência energética; «gun control».
No seu quinto State of The Union como 44.º Presidente dos EUA, Barack Obama deverá entrar nas zonas específicas destes grandes temas.
Os seus assessores libertaram, nas últimas horas, mais alguns pormenores: o Presidente manterá o tom politicamente agressivo para com os seus oponentes republicanos (sem se importar de, com isso, ser rotulado de «mais liberal e esquerdista» do que foi nos primeiros quatro anos na Casa Branca) e vai exortar os congressistas de DC a olharem mais para um aumento de impostos para os mais ricos e menos para cortes na despesa (um dilema que Presidente e Congresso irão enfrentar com particular enfoque nos próximos meses).
Num recente encontro na Virgínia com congressistas democratas, Obama lançou uma ideia forte que poderá repetir no discurso desta noite: a da necessidade de uma «economia que resulte para todos».
O Presidente quer aproveitar o Estado da União 2013 para lançar as bases políticas de uma próxima fase de conjunto de medidas que impulsionem os empregos («jobs, jobs, jobs»), ao mesmo tempo que lancem o caminho para a redução da dívida, obrigatória para que se tornear a Fiscal Cliff.
No último semestre (nos meses que antecederam e sucederam à reeleição), a América continua a criar emprego, mas a um ritmo mensal lento (média de 150 mil postos de trabalho), e ainda insuficiente para recolocar os EUA com uma taxa de desemprego abaixo dos 7 por cento.
O senador Marco Rubio, da Florida, fará a reacção oficial republicana, imediatamente a seguir à intervenção do Presidente perante os congressistas. Um claro sinal de que a imigração e o controlo do défice serão dois temas dominantes para esta noite.»
«Na tomada de posse, a 21 de janeiro, Barack Obama enunciou uma agenda mais ideológica do que se esperava para o segundo mandato.
E muitos até estranharam que o Presidente tenha extravasado o registo abrangente que uma inauguração geralmente comporta, para avançar para assuntos com uma carga política muito acentuada (controlo de armas, imigração, alterações climáticas, direitos das minorias).
No discurso sobre o Estado da União desta terça-feira, Obama deverá reforçar essa carga ideológica e vai aproveitar o «cara a cara» com o Congresso de maioria republicana para sinalizar: «Eu sou o Presidente e as eleições têm consequências».
O discurso de posse já tinha enunciado as prioridades. O «State of the Union» deverá reforçar um Obama a marcar o tom político nos próximos anosPode parecer um aviso redundante, mas tendo em conta o comportamento do partido rival do Presidente, acreditem que não é: «Continua a haver um número surpreendente de republicanos que parecem pensar que as eleições não interessam, que estão prontos para bloquear a agenda popular que os americanos mostraram apoiar em novembro. A mudança não vai acontecer atrás das portas, nos corredores de Washington. Só poderá acontecer com persistência, com pressão, por parte do Presidente sobre o Congresso republicano e pelo envolvimento permanente de milhões de americanos», comenta Ben LaBelt, antigo assessor de imprensa da campanha de Barack Obama.
A 21 de janeiro, o Presidente já tinha enunciado as suas quatro grandes prioridades políticas para o segundo mandato: reforma da imigração; redução do défice; alterações climáticas e independência energética; «gun control».
No seu quinto State of The Union como 44.º Presidente dos EUA, Barack Obama deverá entrar nas zonas específicas destes grandes temas.
Os seus assessores libertaram, nas últimas horas, mais alguns pormenores: o Presidente manterá o tom politicamente agressivo para com os seus oponentes republicanos (sem se importar de, com isso, ser rotulado de «mais liberal e esquerdista» do que foi nos primeiros quatro anos na Casa Branca) e vai exortar os congressistas de DC a olharem mais para um aumento de impostos para os mais ricos e menos para cortes na despesa (um dilema que Presidente e Congresso irão enfrentar com particular enfoque nos próximos meses).
Num recente encontro na Virgínia com congressistas democratas, Obama lançou uma ideia forte que poderá repetir no discurso desta noite: a da necessidade de uma «economia que resulte para todos».
O Presidente quer aproveitar o Estado da União 2013 para lançar as bases políticas de uma próxima fase de conjunto de medidas que impulsionem os empregos («jobs, jobs, jobs»), ao mesmo tempo que lancem o caminho para a redução da dívida, obrigatória para que se tornear a Fiscal Cliff.
No último semestre (nos meses que antecederam e sucederam à reeleição), a América continua a criar emprego, mas a um ritmo mensal lento (média de 150 mil postos de trabalho), e ainda insuficiente para recolocar os EUA com uma taxa de desemprego abaixo dos 7 por cento.
O senador Marco Rubio, da Florida, fará a reacção oficial republicana, imediatamente a seguir à intervenção do Presidente perante os congressistas. Um claro sinal de que a imigração e o controlo do défice serão dois temas dominantes para esta noite.»
Sábado, 9 de Fevereiro de 2013
Histórias da Casa Branca: este é o momento para a Reforma de Imigração
TEXTO PUBLICADO NO SITE TVI24.PT, A 8 DE FEVEREIRO DE 2013:
A Reforma da Imigração é uma das prioridades do segundo mandato de Barack Obama.
Essa ideia já tinha ficado clara durante a campanha de reeleição e foi especialmente reforçada pelo Presidente no seu discurso de inauguração, do passado dia 21 de janeiro.
Nesse discurso, Obama deu sinais de interpretar a relegitimação política obtida a 6 de novembro como uma luz verde de uma clara maioria de americanos para que avance em aspetos mais ideológicos da sua agenda política.
Num pacote onde também entram questões como o «gun control», os direitos das minorias ou as alterações climáticas, o tema talvez mais significativo do ponto de vista social e político é o da imigração.
A forma como o Partido Republicano perdeu, em toda a linha, para Barack Obama a batalha demográfica da «nova América» forçou a Direita americana (ou, pelo menos, uma boa parte dela) a abrir uma profunda reflexão interna em torno deste tema crucial para os Estados Unidos.
A máquina de propaganda do Presidente Obama (que, mesmo depois da reeleição, continua ativada e sempre em cima da atualidade) tem apostado, nos últimos dias, nas redes sociais, nesta ideia forte: «Quase todas as famílias dos EUA vieram para a América de outro sítio qualquer. A menos que seja um nativo americano, veio, certamente, de outro lado. Somos mais parecidos uns com os outros do que parecemos. Ajude-nos a corrigir o nosso sistema de imigração, que está obsoleta e é injusto».
O apelo está a pegar. As pesquisas mostram um apoio à vontade do Presidente de avançar para uma Reforma de Imigração nunca antes visto nos EUA.
Um estudo ABC/Washington Post mostra que 49 por cento dos americanos apoia as ideias de Obama nesta matéria, enquanto apenas 43% se revelam contra.
Mais significativo ainda, 55 por cento dos americanos mostram-se compreensivos perante a necessidade de «conceder cidadania a quem esteja nos EUA indocumentado».
Obama está, precisamente, a ir pelo caminho do bom senso nesta questão, evitando uma excessiva clivagem ideológica. A estratégia faz todo o sentido quando 85 por cento dos americanos se declaram a favor de barreiras fronteiriças mais duras.
Isso não colide com a visão do Presidente sobre este problema. Em traços gerais, o que Obama defende é uma solução pragmática e mais humana para os imigrantes ilegais que já vivam nos EUA (e muito em especial para os filhos deles, que na verdade não são imigrantes, porque já nasceram na América).
Mas o Presidente sempre defendeu um controlo forte das fronteiras, para evitar que o problema da imigração ilegal se agrave.
Há dados novos na posição do Partido Republicano sobre este tema crucial para o «código genético» da América.
A escolha de Marco Rubio para protagonista da reação oficial do GOP na noite do discurso de Barack Obama sobre o Estado da União, a 12 de fevereiro, comprova que os republicanos pretendem entrar a sério nesta discussão.
«Rising star» da Direita americana, talvez o favorito à nomeação presidencial republicana para 2016, o senador Marco Rubio, da Florida, é filho de cubanos e tem, também por razões familiares uma abordagem tolerante em relação à problemática da imigração.
Eric Cantor, líder da maioria republicana na Câmara dos Representantes, marcou o tom da atual posição oficial da direita: «Um dos princípios fundadores deste país é o de que os filhos não devem ser punidos pelos erros cometidos pelos seus pais».
A Reforma da Imigração é uma das prioridades do segundo mandato de Barack Obama.
Essa ideia já tinha ficado clara durante a campanha de reeleição e foi especialmente reforçada pelo Presidente no seu discurso de inauguração, do passado dia 21 de janeiro.
Nesse discurso, Obama deu sinais de interpretar a relegitimação política obtida a 6 de novembro como uma luz verde de uma clara maioria de americanos para que avance em aspetos mais ideológicos da sua agenda política.
Num pacote onde também entram questões como o «gun control», os direitos das minorias ou as alterações climáticas, o tema talvez mais significativo do ponto de vista social e político é o da imigração.
A forma como o Partido Republicano perdeu, em toda a linha, para Barack Obama a batalha demográfica da «nova América» forçou a Direita americana (ou, pelo menos, uma boa parte dela) a abrir uma profunda reflexão interna em torno deste tema crucial para os Estados Unidos.
A máquina de propaganda do Presidente Obama (que, mesmo depois da reeleição, continua ativada e sempre em cima da atualidade) tem apostado, nos últimos dias, nas redes sociais, nesta ideia forte: «Quase todas as famílias dos EUA vieram para a América de outro sítio qualquer. A menos que seja um nativo americano, veio, certamente, de outro lado. Somos mais parecidos uns com os outros do que parecemos. Ajude-nos a corrigir o nosso sistema de imigração, que está obsoleta e é injusto».
O apelo está a pegar. As pesquisas mostram um apoio à vontade do Presidente de avançar para uma Reforma de Imigração nunca antes visto nos EUA.
Um estudo ABC/Washington Post mostra que 49 por cento dos americanos apoia as ideias de Obama nesta matéria, enquanto apenas 43% se revelam contra.
Mais significativo ainda, 55 por cento dos americanos mostram-se compreensivos perante a necessidade de «conceder cidadania a quem esteja nos EUA indocumentado».
Obama está, precisamente, a ir pelo caminho do bom senso nesta questão, evitando uma excessiva clivagem ideológica. A estratégia faz todo o sentido quando 85 por cento dos americanos se declaram a favor de barreiras fronteiriças mais duras.
Isso não colide com a visão do Presidente sobre este problema. Em traços gerais, o que Obama defende é uma solução pragmática e mais humana para os imigrantes ilegais que já vivam nos EUA (e muito em especial para os filhos deles, que na verdade não são imigrantes, porque já nasceram na América).
Mas o Presidente sempre defendeu um controlo forte das fronteiras, para evitar que o problema da imigração ilegal se agrave.
Há dados novos na posição do Partido Republicano sobre este tema crucial para o «código genético» da América.
A escolha de Marco Rubio para protagonista da reação oficial do GOP na noite do discurso de Barack Obama sobre o Estado da União, a 12 de fevereiro, comprova que os republicanos pretendem entrar a sério nesta discussão.
«Rising star» da Direita americana, talvez o favorito à nomeação presidencial republicana para 2016, o senador Marco Rubio, da Florida, é filho de cubanos e tem, também por razões familiares uma abordagem tolerante em relação à problemática da imigração.
Eric Cantor, líder da maioria republicana na Câmara dos Representantes, marcou o tom da atual posição oficial da direita: «Um dos princípios fundadores deste país é o de que os filhos não devem ser punidos pelos erros cometidos pelos seus pais».
Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2013
Histórias da Casa Branca: mais América, menos Mundo
TEXTO PUBLICADO NO TVI24.PT, A 7 DE FEVEREIRO DE 2013:
A poucos dias do seu primeiro discurso sobre o Estado da União no segundo mandato, Barack Obama vai dando sinais de querer ser, nos próximos quatro anos, cada vez mais um «Presidente dos americanos» e menos um «Presidente americano para mudar o Mundo».
Se uma boa parte da promessa de «mudança dos EUA e do Mundo» de 2008 teve que ficar na gaveta, a reeleição mostrou que ele ainda vai a tempo de a fazer, pelo menos nalguns aspetos, no seu próprio país.
Os anunciados cortes na Defesa mostram que os próximos anos vão mostrar uma América mais recatada na cena mundial.
Não confundamos as coisas: os EUA vão continuar a ser maior superpotência do Mundo. A questão é que cada decisão sobre política externa que fizerem será cada vez mais pensada e ponderada, em função das possibilidades orçamentais.
Na verdade, isso já começou a acontecer na parte final dos anos Bush e nos primeiros anos da era Obama.
A intervenção na Líbia teve a originalidade de colocar os EUA empenhados, mas sem liderar. E a «contenção» na Síria prova que o conceito americano de «tolerância» para com os abusos de ditadores tenderá a aumentar.
Barack Obama acredita que a América continua destinada a liderar, mas tem uma interpretação restritiva da «excecionalidade americana».
Quer que os EUA continuem a ser inovadores no plano tecnológico e do conhecimento. Quer que as universidades americanas se mantenham uma referência nos «rankings» internacionais.
Mas o Presidente, agora reforçado politicamente com a reeleição, vai apontar o principal das suas baterias em temas que interessam, sobretudo, aos americanos.
Quer fazer dos EUA a maior potência energética do Mundo até 2020. Dito assim, parece um mero «slogan» de campanha, sem grande significado prático. Sucede que é bem mais do que isto.
Nos últimos anos, a Administração Obama deu passos importantes para colocar a América no caminho da independência energética.
A base da presença excessiva dos americanos em cenários de guerra nas última décadas tem a ver com os interesses estratégicos que os EUA quiseram preservar no Golfo Pérsico e no Médio Oriente.
Mas os dados mudaram nos últimos anos. Mesmo continuando a ser os principais produtores de petróleo, os países daquela região têm, hoje, novos concorrentes.
Perante o reerguer da Rússia como importante produtor de petróleo e gás natural, os EUA fizeram aposta forte no aumento da produção própria.
A percentagem de dependência do petróleo estrangeiro é cada vez menor. E aposta nas reservas de gás de xisto, aumentada com descobertas recentes, é cada vez maior.
A «independência energética» será um conceito cada vez mais defendido por Obama nos próximos quatro anos.
No tabuleiro mais político, Barack Obama sabe que tem pouco mais do que um ano para concretizar o que pretende.
Energizado pela vitória de 6 de novembro e pelo bom discurso de posse, terá que aproveitar o ambiente favorável de 2013 para apostar numa reforma de imigração ambiciosa (com aliados improváveis, como o senador John McCain e mesmo algumas figuras da direita cristã, como o senador Lindsay Graham) e na obtenção de um consenso social alargado, que ultrapasse barreiras políticas e ideológicas, em torno da questão do controlo de armas.
Um Obama mais «americano» e menos «internacional»? Só será surpresa para quem não o acompanha há vários anos.
A poucos dias do seu primeiro discurso sobre o Estado da União no segundo mandato, Barack Obama vai dando sinais de querer ser, nos próximos quatro anos, cada vez mais um «Presidente dos americanos» e menos um «Presidente americano para mudar o Mundo».
Se uma boa parte da promessa de «mudança dos EUA e do Mundo» de 2008 teve que ficar na gaveta, a reeleição mostrou que ele ainda vai a tempo de a fazer, pelo menos nalguns aspetos, no seu próprio país.
Os anunciados cortes na Defesa mostram que os próximos anos vão mostrar uma América mais recatada na cena mundial.
Não confundamos as coisas: os EUA vão continuar a ser maior superpotência do Mundo. A questão é que cada decisão sobre política externa que fizerem será cada vez mais pensada e ponderada, em função das possibilidades orçamentais.
Na verdade, isso já começou a acontecer na parte final dos anos Bush e nos primeiros anos da era Obama.
A intervenção na Líbia teve a originalidade de colocar os EUA empenhados, mas sem liderar. E a «contenção» na Síria prova que o conceito americano de «tolerância» para com os abusos de ditadores tenderá a aumentar.
Barack Obama acredita que a América continua destinada a liderar, mas tem uma interpretação restritiva da «excecionalidade americana».
Quer que os EUA continuem a ser inovadores no plano tecnológico e do conhecimento. Quer que as universidades americanas se mantenham uma referência nos «rankings» internacionais.
Mas o Presidente, agora reforçado politicamente com a reeleição, vai apontar o principal das suas baterias em temas que interessam, sobretudo, aos americanos.
Quer fazer dos EUA a maior potência energética do Mundo até 2020. Dito assim, parece um mero «slogan» de campanha, sem grande significado prático. Sucede que é bem mais do que isto.
Nos últimos anos, a Administração Obama deu passos importantes para colocar a América no caminho da independência energética.
A base da presença excessiva dos americanos em cenários de guerra nas última décadas tem a ver com os interesses estratégicos que os EUA quiseram preservar no Golfo Pérsico e no Médio Oriente.
Mas os dados mudaram nos últimos anos. Mesmo continuando a ser os principais produtores de petróleo, os países daquela região têm, hoje, novos concorrentes.
Perante o reerguer da Rússia como importante produtor de petróleo e gás natural, os EUA fizeram aposta forte no aumento da produção própria.
A percentagem de dependência do petróleo estrangeiro é cada vez menor. E aposta nas reservas de gás de xisto, aumentada com descobertas recentes, é cada vez maior.
A «independência energética» será um conceito cada vez mais defendido por Obama nos próximos quatro anos.
No tabuleiro mais político, Barack Obama sabe que tem pouco mais do que um ano para concretizar o que pretende.
Energizado pela vitória de 6 de novembro e pelo bom discurso de posse, terá que aproveitar o ambiente favorável de 2013 para apostar numa reforma de imigração ambiciosa (com aliados improváveis, como o senador John McCain e mesmo algumas figuras da direita cristã, como o senador Lindsay Graham) e na obtenção de um consenso social alargado, que ultrapasse barreiras políticas e ideológicas, em torno da questão do controlo de armas.
Um Obama mais «americano» e menos «internacional»? Só será surpresa para quem não o acompanha há vários anos.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


